quinta-feira, maio 13

As Mulheres Fazem Cinema


O facto de não sabermos quem é merece perdão. Nada foi escrito sobre Dorothy Arzner e o seu valor nos melhores livros enciclopédicos sobre cinema na América, mas trata-se da única cineasta a trabalhar na Golden Age de Hollywood entre os anos 20 e os anos 40, tendo realizado mais de 20 filmes, alguns feministas e controversos do pré-Código Hays. A história estava por contar até este documentário As Mulheres Fazem Cinema, de Mark Cousins, apresentado hoje em sala durante 14 horas. Do conjunto da sua obra, destaca-se “The Wild Party” (1929) e sobretudo “Merrily We Go to Hell” (1932), com Sylvia Sidney e Fredric March, filme que celebra a poligamia e o sexo extraconjugal (embalados pela embriaguez). Crónicas sofisticadas de um feminismo avant la lettre com mulheres provocatórias que Hollywood empalideceu.

"Pela primeira vez, um guarda-chuva foi longamente ovacionado, como um tenor italiano"

A desconcertante singularidade de Murilo Mendes é u
m tra-
ço que desde o início da sua actividade literária o
s seus coetâneos,
escritores e amigos, não se coibiram de assinalar com
veemência, a
ponto de Manuel Bandeira o descrever, numa passagem
já célebre,
como «o mais complexo, o mais estranho e seguramente o
mais fe-
cundo poeta» da geração a que pertenceu
1
A desconcertante singularidade de Murilo Mendes é u
m tra-
ço que desde o início da sua actividade literária o
s seus coetâneos,
escritores e amigos, não se coibiram de assinalar com
veemência, a
ponto de Manuel Bandeira o descrever, numa passagem
já célebre,
como «o mais complexo, o mais estranho e seguramente o
mais fe-
cundo poeta» da geração a que pertenceu
1
A desconcertante singularidade de Murilo Mendes é u
m tra-
ço que desde o início da sua actividade literária o
s seus coetâneos,
escritores e amigos, não se coibiram de assinalar com
veemência, a
ponto de Manuel Bandeira o descrever, numa passagem
já célebre,
como «o mais complexo, o mais estranho e seguramente o
mais fe-
cundo poeta» da geração a que pertenceu
1
A desconcertante singularidade de Murilo Mendes é u
m tra-
ço que desde o início da sua actividade literária o
s seus coetâneos,
escritores e amigos, não se coibiram de assinalar com
veemência, a
ponto de Manuel Bandeira o descrever, numa passagem
já célebre,
como «o mais complexo, o mais estranho e seguramente o
mais fe-
cundo poeta» da geração a que pertenceu
1
A desconcertante singularidade de Murilo Mendes é u
m tra-
ço que desde o início da sua actividade literária o
s seus coetâneos,
escritores e amigos, não se coibiram de assinalar com
veemência, a
ponto de Manuel Bandeira o descrever, numa passagem
já célebre,
como «o mais complexo, o mais estranho e seguramente o
mais fe-
cundo poeta» da geração a que pertenceu
1
A desconcertante singularidade de Murilo Mendes é u
m tra-
ço que desde o início da sua actividade literária o
s seus coetâneos,
escritores e amigos, não se coibiram de assinalar com
veemência, a
ponto de Manuel Bandeira o descrever, numa passagem
já célebre,
como «o mais complexo, o mais estranho e seguramente o
mais fe-
cundo poeta» da geração a que pertenceu
1
A desconcertante singularidade de Murilo Mendes é u
m tra-
ço que desde o início da sua actividade literária o
s seus coetâneos,
escritores e amigos, não se coibiram de assinalar com
veemência, a
ponto de Manuel Bandeira o descrever, numa passagem
já célebre,
como «o mais complexo, o mais estranho e seguramente o
mais fe-
cundo poeta» da geração a que pertenceu
1
A desconcertante singularidade de Murilo Mendes (Juiz de Fora, 13 de maio de 1901 — Lisboa, 13 de agosto de 1975) é um traço que fez Manuel Bandeira descrevê-lo como «o mais complexo, o mais estranho e seguramente o mais fecundo poeta» da geração a que pertenceu, a dos surrealistas lúcidos
"Aqui abro parêntese, para referir um episódio que consta da história e lenda de Murilo Mendes.

Não sei em que dia ou ano, nem importa a data. Era o mesmo Municipal e estava levando uma peça francesa (alguém diria, mais tarde, e textualmente, que era uma peça “chatérrima”). Lá foi o nosso Murilo para uma das primeiras filas. Olhou em torno e viu uma fauna impressionante de casacas e decotes. E cada decote ou casaca humilhava e agredia o seu traje de passeio, surrado e sebento. Muito bem: — e, no fim dos primeiros cinco minutos, o poeta achava o texto irrespirável. Não teve mais dúvidas. Abriu um guarda-chuva na platéia. Nafrisa, o embaixador francês, de monóculo, já não entendia mais nada. O elenco, no palco, esbugalhou-se. Por um momento, não se ouviu aquela pronúncia perfeita, irretocável dos artistas de França. Era uma experiência inédita aquele guarda-chuva solitário e sobrenatural. E não havia sequer uma goteira que o justificasse. Por outro lado, nenhum regulamento de teatro prevê a hipótese de um guarda-chuva. Que fazer diante de um fato novo, revolucionário e alucinatório? Houve uns dois ou três minutos de um suspense geral e pânico. E, súbito, aquelas casacas e aqueles decotes começaram a aplaudir. Primeiro, uma meia dúzia de palmas ainda envergonhadas e pioneiras. Depois, explodiu a unanimidade. Pela primeira vez, um guarda-chuva foi longamente ovacionado, como um tenor italiano. Naquele tempo, o intelectual era louco (hoje, o próprio Murilo é apenas um funcionário corretíssimo, que faz do livro de ponto a sua bíblia)."
Nelson Rodrigues, O guarda-chuva no Municipal

segunda-feira, maio 10

Há um homem com a mente em deriva


E a história é esta. Simples. Como partilhar a angústia de um labirinto onde é impossível qualquer orientação, já é coisa complicada que só labor de escrita e de mise-en-scène podem ultrapassar. As variações do espaço, a porta e móvel que subitamente não temos a certeza de reconhecer, uma disposição da sala que estranhamos, tudo está ali para nos criar uma total sensação de insegurança. E Hopkins para dar autenticidade ao que se devolve do ecrã. Coisa rara.

O PAI
De Florian Zeller
Com Anthony Hopkins, Olivia Colman, Mark Gatiss (Reino Unido/França)
Drama M/12

domingo, maio 9

Razões privadas, festa pública


Em 2014, com How Can We Be Joyful in a World Full of Knowledge, testou a fusão pop-jazz. Dois anos depois, tentou separá-la com dois discos editados em simultâneo: Those Who Throw Objects at the Crocodiles Will Be Asked to Retrieve Them o mais pop, e Worst Summer Ever, num registo mais jazz. Entretanto, dividiu-se entre dois projetos: um de bandas sonoras para cinema e teatro, outro de jazz mais experimental no trio Montanhas Azuis, com Norberto Lobo e Marco Franco. Nunca é fácil prever o próximo passo do Bruno Pernadas. Neste quarto trabalho, tudo se embrulha e as razões, aponta o título, são privadas. Mas o que importa é a festa e essa é nossa. Música que expõe uma miríade de recursos, estilos, geografias e imagens, refazendo linhas clássicas de maneira singular. Enfim, mais um ovni.

PRIVATE REASONS
Bruno Pernadas
Pataca Discos/Sony Music

sexta-feira, maio 7

Alto e pára o baile!

 

"E se é verdade que um rasto de puritanismo parece contaminar l’air du temps, convinha que tais odores bafientos não fossem sempre descarada e selectivamente invocados entre nós, com o intuito de encobrir situações em que os agressores nunca têm rosto nem nome. Até porque também nós, mulheres, mais ou menos letradas, nos lembramos da célebre frase de Tancredi, sobrinho do Príncipe de Salina, em O Leopardo de Lampedusa: “Se vogliamo che tutto rimanga com’è, bisogna che tutto cambi”. Em português, para se perceber melhor: “Se queremos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude”.

Mexer com valores milenares nunca seria fácil, mas ver homens adultos argumentar com subtilezas tão pueris como ser complicado distinguir entre sedução e assédio, no mínimo não abona muito a favor da sua maturidade.

E no fundo não tem nada que saber e já estava tudo no Avanti de Billy Wilder, esse realizador e ser humano extraordinário. Explica Miss Piggott (Juliet Milles) ao industrial Armbrister Jr. (Jack Lemmon): “Uma rapariga gosta que lhe perguntem, de ter a oportunidade de dizer não […] Não me importo de ser tratada como objecto sexual, mas é como em qualquer outro jogo, há que jogar de acordo com as regras ou o jogo perde a piada”.

Público

quinta-feira, maio 6

Dia da Língua Portuguesa, a efeméride e o foguetório


“Ainda bem que, a avaliar pelas cerimónias oficiais, ficámos todos contentes com a celebração do Dia da Língua Portuguesa. Tudo coisas importantes e sonoras. Mas, amanhã [hoje], tudo esquecido – as bibliotecas da nossa língua continuarão em risco, os apoios aos autores continuarão a ser comedidos, a edição continuará a lutar solitariamente contra todas as adversidades, os índices de leitura serão fabricados à medida, as leis para as livrarias serão tão deslocadas e hipócritas como antes, leremos cada vez menos jornais e haverá cada vez menos obras clássicas ou modernas a serem adaptadas à televisão, a escola continuará a hostilizar o bom Português (em maiúscula).

Ficam a efeméride e o foguetório.“

Francisco José Viegas, CM

quarta-feira, maio 5

A Devida Comédia

 

“ O ritual da eleição do presidente do STJ já não cumpre as exigências do tempo e de uma democracia participativa, transparente e responsável. Em 2021, é inconcebível que a quarta figura do Estado seja eleita sem programa, sem debate e escrutínio público, por um colégio de 63 colegas, em ambiente fechado à sociedade, com base em critérios de conhecimento e preferência pessoal. Ninguém sabe o que pensam os três candidatos sobre a justiça e a sua função no equilíbrio dos poderes do Estado, sobre a gestão e disciplina dos juízes, sobre a organização dos tribunais, enfim, sobre coisa nenhuma, como se o assunto respeitasse apenas às paredes do STJ e aos juízes que lá trabalham.”

Manuel Soares, Público

200 anos da morte de Napoleão

 

6.

Os retratos que temos de Napoleão mostram um rosto meio neutro, que talvez não fique na memória.
Mas quando está em cima de um cavalo, o seu rosto ganha uma luminosidade distinta.

Gonçalo M. Tavares, Expresso

O mal-amado



Encontramos em Kierkegaard (5 de Maio de 1813 — 11 de Novembro de 1855) um tratamento do passado, do presente e do futuro, associado à angústia e à presença da infelicidade na personalidade individual. A angústia só a podemos sentir em relação ao que já passou ou em relação ao que está por vir ea felicidade ou infelicidade de cada um depende da sua capacidade de estar presente em si mesmo, em relação ao tempo passado, ao tempo presente e ao tempo futuroÉ um pouco por isso que o filósofo, teólogo, poeta e crítico social dinamarquês é considerado o primeiro filósofo existencialista. Curiosamente isso nunca lhe deu grande “colo” na nossa Academia. E até defendia o poder da minoria. No entanto, ela tem de ser vista à luz da época, quando ter-se opinião não era uma banalidade como a máxima “todos temos direito à nossa opinião”, o que não quer dizer que opinião é abrir a boca e dizer, sem reflexão, o que se acha sobre o que quer que seja. 
"A verdade fica sempre com a minoria ... porque a minoria é geralmente formada por aqueles que têm realmente uma opinião, enquanto a força da maioria é ilusória, formada por grupos que não têm opinião alguma."

Dia da Língua Portuguesa

 

“Escrever na própria língua com que o mundo se abriu para nós, é fazer a luz de novo. Damos às palavras novos padrões, fazemos delas sinais para assentar os templos e fechar as prisões. A língua portuguesa, ferro de marcar as ideias, como um rebanho solto no campo, deve ser usada como milagre e como sabedoria. Do primeiro tem a iniciação e a sensibilidade; da segunda tem a forma e a aprendizagem. Quem quiser escrever livros, conheça o seu buril, e a sua goiva e formão. Quem quiser fazer versos, tem que pedir ao céu carinhos, e ele os concede como inspirações. Em todas as vocações há descoberta; depois emprego e, a seguir, maestria. Quem quiser dizer palavras, não as escreva. A escrita é para quem deseja produzir memória e ser cuidadoso da sua eternidade. A língua portuguesa é a escada com que se chega às longas viagens de uma identidade. Quer dizer: do coração colectivo da terra em que nascemos.”

Agustina Bessa-Luís, CADERNO DE SIGNIFICADOS (Guimarães Ed., 2013)