Mais cedo ou mais tarde, isto iria acontecer. Sabemo-lo, se não antes, desde de que a estátua do Padre António Vieira se preparou para ser derrubada (ou só protestada?) pelos mamadou´s deste "novo" mundo, aqueles a quem, ainda que lhes sussurrássemos ao ouvido o Sermão da Primeira Dominga de Quaresma, de 1653, tudo seria inútil. Agora, é Pessoa na fogueira.
É claro que pouco importa a contextualização e o entendimento da obra de Fernando Pessoa como uma grande obra de teatro, uma das maiores do século passado. Também pouco importarão os seus escritos a condenar as teorias raciais e até o colonialismo (vide, entre outros, "Fernando Pessoa e a invasão da Abissínia pela Itália fascista"). E tão pouco importará a evolução do pensamento sociopolitico de Pessoa, a datação necessária dos textos, a sua evolução ou o seu desprezo efectivo ao racismo dos fascistas (sociais nacionalistas, como os nazis ou os estalinistas) ou a sua amizade com o jornalista e escritor são-tomense Mário Domingues (certamente um escravo que o divertia).
Foi isto que lemos: a presidente da Plataforma para o Desenvolvimento da Mulher Africana, Luzia Moniz, num texto de opinião publicado no Jornal de Angola, deixa isto: "Não sei se Pessoa é ou não bom poeta. Isso pouco interessa para o caso. A minha inquietação é o uso da CPLP para branquear o pensamento de um acérrimo defensor do mais hediondo crime contra a Humanidade: a escravatura".
E foi isto que nos informaram: "um grupo intitulado de intelectuais angolanos, não tem dúvidas, Fernando Pessoa considera que a determinados povos "escravizá-lo é que é lógico", como mostra a citação abaixo, retirada de um documento presente no Arquivo Pessoa e intitulado: ´O imperialismo de expansão tem um sentido normal´.
Mas não se pense que a leitura é assim porque não é verdadeiramente "académica". Teresa Rita Lopes explica o equívoco de se atribuírem essas afirmações ao poeta por se encontrarem de forma errada e sem uma contextualização correta no volume "Fernando Pessoa - Uma quase-autobiografia", de José Paulo Cavalcanti Filho, que o "autor brasileiro encomendou, porque precisava de ter um livro na sua biografia para se candidatar a uma cadeira na Academia Brasileira de Letras".
O equívoco acontece, também, porque as pessoas esquecem que quando atribuem frases ao poeta estão a tirá-las de uma das suas personagens e não querem fazer qualquer interpretação sobre se o texto em concreto é ou não uma ilação dentro de um contexto teórico, como os que fazia Pessoa sobre as civilizações e a evolução da humanidade, ou se correspondia a alguma crença.
Para este grupo de "intelectuais" dos nossos (?) PALOP, a obra de Pessoa é uma inadmissível aderência às ideias racistas dos que acreditavam na inferioridade genética de certas raças, nomeadamente a raça negra. Ponto final parágrafo.
Para este grupo de "intelectuais" dos nossos (?) PALOP, a obra de Pessoa é uma inadmissível aderência às ideias racistas dos que acreditavam na inferioridade genética de certas raças, nomeadamente a raça negra. Ponto final parágrafo.
Para já, Herman Melville e o seu monstruoso crime contra um cachalote ou baleia branca, como preferem?, em Moby Dick, passou entre os pingos da chuva.

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