Juntamente com o Motown e com o Blue Note foi sempre editora para se comprar o que editava e abrir depois. Chegou aos 40 anos. Mas não estava previsto. Quando, em 1980, Ivo Watts-Russell e Peter Kent a fundaram, o plano era mantê-la em atividade durante 10 anos e, no último dia de 1990, fechar as portas. Mas como virar as costas aos Cocteau Twins, This Mortal Coil, Dead Can Dance, Clan of Xymox, Bauhaus, Modern English, Birthday Party, Xmal Deutschland, Colourbox, The Wolfgang Press, Pixies, Throwing Muses e Breeders? Manteve-se acesso o "farol" sobre uma trupe de
freaks que não desejavam ser vistos e de sentimentos e segredos ocultos, sonhos ansiosos e medos sufocados. Esta inclinação estética devemos a Watts-Russell que, logo em 1981, ficaria sozinho à frente da editora para só em 1999 vender a sua quota da editora à Beggars Banquet e exilar-se-ia até hoje no deserto do Novo México. Aos 40 anos, um ponto de situação:
Bills & Aches & Blues, uma espécie de recuperação atualizada do conceito 4AD, no qual bandas atuais revisitam temas dos ‘clássicos’ da editora. Ao melhor, pretende. É que alguém esqueceu bússola. A irregularidade maça e falta "química" deste projecto às vezes é mesmo um desastre: "Oblivion" é uma espécie de lavagem a seco dos Grimes e a cover de SOHN. para Tim Buckley, em "Song to the Siren", de certeza que fez corar de vergonha os Cocteau Twins.
Já não se pode comprar 4AD como eu o fazia.
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