sábado, agosto 17

"NÃO ANTÓNIO FERRO NÃO"

António Ferro (Lisboa, 17 de Agosto de 1895 — 11 de Novembro de 1956), jornalista, cronista, ficcionista, poeta e política, surge, desde o início, ligado ao projecto da revista Orpheu, trazido por Sá-Carneiro de quem era amigo. Por ser menor e de maturidade «paúlica», conforme a correspondência entre Pessoa, Côrtes-Rodrigues e Sá-Carneiro, acaba por ser «aproveitado» para figurar como editor da revista. A circunstância de ser ainda menor, torna ilegal o cargo por si desempenhado, o que é torna ainda mais excitante a sua colaboração. 

De divulgador do modernismo, Ferro (que nos tempos de Orpheu milita nas hostes democráticas de Afonso Costa…) passaria, em breve, a ideólogo do Estado Novo. A sua simpatia por ideologias ditatoriais começa por manifestar-se com a adesão à figura de Sidónio Pais, prenuncia a sua aproximação a Mussolini, que entrevista para o Diário de Notícias (5-6-1930) e mis tarde será convidado por Salazar para implantar a «política do espírito». Apesar das suas muitas iniciativas em prol da cultura, a colagem a Salazar afasta-o irremediavelmente de uma parte dos seus pares da Presença, como é o caso de Gaspar Simões e Adolfo Casais Monteiro que, admirando-o como figura alta do modernismo, lhe não perdoam a traição política. Ferro acabaria, porém, por ser enviado (ou exilado?) por Salazar para Berna e Roma, como Ministro de Portugal. O seu único livro de poemas (editado já depois da sua morte), intitula-se Saudades de Mim.

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NÃO ANTÓNIO FERRO NÃO, manuscrito não publicado de José de Almada Negreiros. 
Resposta a António Ferro. 1936.

“José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno”
Fundação Calouste Gulbenkian. Exposição de 2017.

Foto: CC BY-NC L.A. Ferreira.

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