“Amigo leitor: se te inclinas a pensar, como tantos acéfalos, que já não se pode ler livros senão a correr e em sítios de passagem — a casa de banho, a mesa do café, o comboio, — deves passar adiante! (e decerto já passaste). Um livro de aforismos poderia tentar a tua débil capacidade de atenção: mas só por uma das tuas leviandades de juízo! Qualquer livro de aforismos sérios te enfastiará depressa. Agora se gostas de ler, reler, e meditar um dêsses livros que oferecem ao homem um espêlho talvez pouco lisonjeiro, talvez um nada turvo, aqui e ali, dos dedos humanos do seu fabricante, mas cujo cristal bem sólido te obrigará a olhar tua imagem mais o que a rodeia com olhos profundos, corajosos — sabe que apareceu um livro assim em Portugal... Isto é: Dar-se-á o caso que ainda o não saibas?”.
José Régio, in Crítica a Revisão (1 e 2) de José Bacelar, in Presença, n.° 49, Ano 13°, Coimbra, Junho, 1937, p. 14-15.
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